AS OPINIÕES DO FUTURO MINISTRO DA INFRA-ESTRUTURA

Em entrevista concedida ontem, em Brasília, após sua indicação para o Ministério da Infra-Estrutura, Ozires Silva defendeu a privatização de empresas estatais como forma de redução dos gastos do Estado. De acordo com o futuro ministro, essa privatização em nenhuma hipótese contrariará a Constituição. Para o setor energético, o futuro ministro defende o investimento de capital externo. "A energia é um sustentáculo para o desenvolvimento do Brasil", afirmou. Disse não ter projetos específicos sobre a continuidade das obras iniciadas pelo atual governo, como a Ferrovia Norte-Sul e a Usina Hidrelétrica de Xingó, e nada esclareceu ao responder sobre o Programa Nuclear Brasileiro. "Tudo será feito de acordo com as necessidades da população", declarou. Com relação ao Proálcool, afirmou que os consumidores precisam ser priorizados em relação aos produtores de álcool e que o governo terá a coragem necessária para fazer as correções "essenciais para o conforto" dos proprietários dos quatro milhões de carros movidos a álcool. A busca de capital externo é uma necessidade que Ozires prevê para outros setores da economia brasileira. "O Brasil não pode se isolar do mundo, é preciso trocar experiências e interesses comerciais, ganhar dinheiro com outros países e eles conosco", disse o futuro ministro. Para ele, todos os subsídios devem ser eliminados, "porque cada um está associado a um cartório privado, geralmente pouco eficiente". Sobre a reserva de mercado, Ozires Silva disse que ela deveria acabar, para baratear os produtos vendidos ao consumidor final. Em relação aos salários, ele disse que estes não aumentam os custos, e reclamou da burocracia. Para ele, se o país fosse mais eficiente "poderíamos pagar maiores salários e ter custos menores". Quanto à dívida externa, Ozires Silva diz que "não se deve declarar a moratória porque aí se contraria a tese de trazer mais capital". "Tudo é negociável". "Se a gente oferecer oportunidade de retorno, cumprir obrigações, até 20 anos de carência eles aceitam", disse (FSP) (JC) (O Globo).