PARÁ PERDE US$8 BILHÕES COM OURO

O contrabando de ouro no Estado do Pará, o maior produtor nacional, atingiu 505,5 toneladas apenas na década de 80, com um prejuízo de US$6,25 bilhões para os cofres do país. As perdas no beneficiamento e lavra, de 1980 a 1989, chegam a 662,5 toneladas de ouro, com um prejuízo para o Brasil de US$8,19 bilhões. A produção oficial na década de 80 foi de 157 toneladas de ouro, que alcançou um valor de US$1,94 bilhão. É o que releva trabalho produzido pelo geólogo Idimilson Mesquita, diretor do 5o. Distrito do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral). O estudo revela ainda que, enquanto a própria União dos Sindicatos de Garimpeiros da Amazônia Legal (Usagal) admite que a atividade garimpeira está se expandindo na Amazônia, onde 600 mil homens sobrevivem diretamente dos garimpos, paradoxalmente a produção de ouro vem diminuindo. "No Pará, pode-se considerar a existência de 350 mil garimpeiros, 250 aviões no apoio à garimpagem, com elevados investimentos em maquinário, alimentação, combustível e manutenção de máquinas e não se justifica em hipótese alguma uma produção irrisória de 11,5 toneladas de ouro em 1989", acusa Mesquita. O diretor do DNPM estranha que enquanto nos grandes países produtores de ouro do mundo a atividade garimpeira vem diminuindo, no Brasil ela ainda é uma atividade em expansão (JB).