Um contrato firmado entre o Exército brasileiro e um consórcio formado pelas empresas Helibrás, Engesa e Aerospatiale, da França, segundo ex- funcionários da Helibrás, encobre uma das maiores evasões de divisas já ocorridas no país: o contrato previa a entrega de 52 aeronaves envolvendo recursos da ordem de US$246 milhões. Como o Exército tinha por princípio básico prestigiar a indústria nacional, a Aerospatiale teria dado todos os subsídios necessários à Helibrás para vencer a concorrência com as demais empresas, principalmente a Bell, dos EUA. Vencidos os entraves burocráticos, os franceses puderam comemorar o acordo que assegurava à Aerospatiale 93% do total da transação. A Helibrás e a Engesa, demais consorciadas, ficaram, respectivamente, com 5% e 2% do valor da venda. O empresário Luis Fernando Mendes, irmão do presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Luciando Mendes de Almeida, serviu de intermediário desta transação. Luiz Fernando Mendes, que recebe um salário anual de US$50 mil, além de comissões da Aerospatiale, já havia intermediado um contrato para venda à Marinha de seis helicópteros Super Puma e 11 Esquilos Biturbina, sem concorrência, em 1985. A transação envolveu recursos da ordem de US$100 milhões. Outro contrato, firmado também sem concorrência, foi feito em 1987 entre a Aerospatiale e a FAB (Força Aérea Brasileira), envolvendo US$200 milhões na compra de 21 novos helicópteros. Estes dados constam de um dossiê preparado por ex-funcionários da Helibrás e entregues ao vereador de Itajubá (MG), Geraldo Monteiro (PMDB). Segundo ele, a grande venda da Aerospatiale, escondida atrás de um consórcio nacional, foi o contrato com o Exército para a entrega, até 1991, de 36 helicópteros Panther e 16 Esquilos. Em 24 de fevereiro de 1988, o "Diário Oficial" da União proclamou vencedores da licitação (equivalente a 0,1% do PIB-- Produto Interno Bruto) os consorciados brasileiros (O Globo).