PESQUISA REGISTRA OTIMISMO EM RELAÇÃO AO FUTURO GOVERNO

Os brasileiros, em sua maioria, estão otimistas (43%) com o futuro do país, acham que o presidente eleito Fernando Collor de Mello fará um governo bom ou até ótimo (respectivamente 46% e 13%) e aprovam todas, sem exceção, as medidas aventadas até agora pela equipe do presidente eleito. Essas são as principais conclusões da pesquisa divulgada ontem pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), sobre as expectativas em face ao novo mandato presidencial. A pesquisa envolveu o mesmo número de pessoas (3.650) e municípios (260) das sondagens anteriores à eleição do presidente, e foi feita de 1o. a 10 de fevereiro. Perguntados se confiam ou não no presidente eleito, as respostas foram as seguintes: confia, 68%; não confia, 22% e não sabe/não confia, 10%. A seguir, alguns dados da pesquisa: empresas estatais-- a privatização tem mais concordância do que desaprovação, seja através da venda de ações aos funcionários (41% a 18%), da venda ao público (43% a 18%) ou mesmo da passagem ao controle de empresas privadas (35% a 22%); recessão-- a hipótese de uma recessão mais forte, porém de curta duração, foi preferida por 45% dos entrevistados, enquanto 36% prefeririam uma recessão mais suave, mesmo que mais longa; dívida externa-- a estratégia anunciada por Collor de negociar para obter descontos no pagamento da dívida externa, mas evitar o confronto com os credores, parece contar com a aprovação dos pesquisados. As alternativas de continuar os pagamentos com os mesmos valores (18%) ou com valores menores (43%) superam as de parar de pagar temporariamente (13%) ou definitivamente (também 13%). A idéia de somente pagar a dívida externa com o que for obtido com exportações tem 73% de adesão; reserva de mercado-- os ataques à reserva de mercado na informática e a intenção de acabar com este dispositivo são aprovados por 48% dos entrevistados, o fim dos cartéis, monopólios ou oligopólios por 59% e a entrada de novas indústrias automobilísticas por 65%; outros-- a idéia de que o governo somente deve gastar o que arrecada tem 80% de aprovação, a legislação rigorosa contra a sonegação fiscal 72% e o fim dos subsídios 50% (GM) (JB).