Representantes do mercado financeiro do Rio de Janeiro reagiram com cautela à entrevista coletiva do presidente eleito Fernando Collor de Mello, ontem. Foram evitados tanto os endossos entusiásticos quanto as críticas abertas, mas ficou evidente que Collor, se nada declarou de diretamente contrário aos interesses do mercado, também não disse o que este desejava ouvir. Para o vice-presidente executivo do Banco Boavista, Antonio Carlos Lemgruber, ficou faltando "um pronunciamento mais específico sobre o mercado financeiro e a política econômica". Já o presidente do Banco Inter-Atlântico, José Luiz da Silveira Miranda, não viu nada nas declarações de Collor que ameaçasse os agentes econômicos. "Pelo que ouvi na entrevista, continuo achando que o presidente eleito não vai fazer nenhuma violência contra os portadores de títulos da dívida interna". O sócio e diretor do Banco Gulfinvest, e diretor técnico da Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (ANDIMA), José Carlos de Oliveira, concorda com Miranda: "não pode haver antecipação de medidas", disse ele (GM).