O presidente eleito Fernando Collor de Mello anunciou ontem mais um integrante de sua equipe de governo-- o sindicalista Antônio Rogério Magri, eletricitário de 48 anos e presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores, a CGT, será o ministro do Trabalho e da Previdência Social. A decisão de nomear um sindicalista, tomada ainda em campanha, teve a oposição de conselheiros muito próximos de Collor, inclusive sua principal assessora econômica, Zélia Cardoso de Mello. A escolha do Magri é uma declaração de guerra à CUT (Central Única dos
27928 Trabalhadores), afirmou o líder cutista de Brasília, Chico Vigilante"", para quem Magri não tem representatividade nem legitimidade para conversar com o movimento sindical. O presidente da CUT, Jair Meneghelli, já chamou Magri de "gangster". Em resposta, Magri afirmou que Meneghelli era "um moleque, irresponsável e, politicamente, um cafajeste". Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), ligado à CUT, Vicente Paulo da Silva, "a postura de Collor ao indicar Magri é de confronto; ele não quer a unificação do movimento sindical". Já o presidente da outra CGT, Central Geral dos Trabalhadores, Joaquim dos Santos Andrade, acha que a indicação de Magri "é um desserviço ao movimento sindical". "É um homem de péssimo relacionamento com várias vertentes sindicais". "Ele não aprendeu a conviver com democracia", disse Joaquinzão. Somente o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São
27928 Paulo, Luiz Antônio de Medeiros, considerou coerente"" a indicação de Magri. Em suas primeiras declarações, o futuro ministro afirmou que dialogará com todos os setores do sindicalismo, inclusive seus arquiinimigos da CUT, mas advertiu: "Quem me conhece sabe que jamais compactuarei com greves políticas". "Greve dentro da legitimidade saberemos respeitar", disse. O futuro ministro confessou ainda que não entende nada de Previdência Social, mas disse que pretende "mergulhar de cabeça" para conhecer os problemas que terá de enfrentar. Ele prometeu acabar com qualquer tipo de corrupção que encontrar no novo Ministério, e defendeu que a atual política salarial deve ser mantida até os primeiros sinais de queda da inflação. Casado, pai de dois filhos, Antônio Rogério Magri é defensor do chamado sindicalismo de resultados, contrário ao "sindicalismo combativo", defentido pela CUT. Ele é também diretor do Instituto Cultural do Trabalhador (ICT), uma instituição destinada à formação de lideranças sindicais financiado pela AFL-CIO (a principal central sindical dos EUA)-- cerca de US$200 mil por ano (FSP) (JB) (GM).