A descentralização da negociação da dívida externa continua fazendo parte do plano aprovado pelo presidente eleito, Fernando Collor de Mello, mas só deverá ser aplicado à parcela da dívida que ainda vai vencer. Isso representa cerca de 30% dos US$115 bilhões que o Brasil deve à comunidade financeira internacional. A parte da dívida já vencida continuará sendo negociada em conjunto pelo governo com os bancos credores. A informação foi dada ontem, em Madri (Espanha), pela assessora econômica de Collor, Zélia Cardoso de Mello, que nega ter havido recuo na proposta de descentralização, mas apenas um aperfeiçoamento da idéia. A descentralização da negociação com os credores dos débitos a vencer, diz Zélia, é apenas uma das alternativas do plano de reestruturação da dívida do próximo governo e não inclui a retirada unilateral do aval da União aos contratos dos empréstimos, como constava na sua versão inicial. A retirada do aval, se ocorrer, explica ela, será resultado de negociação entre as empresas ou instituições brasileiras devedoras com os seus credores (JB).