PROGRAMA DE PRIVATIZAÇÃO DE COLLOR TERÁ APOIO ITALIANO

O programa de privatização do presidente eleito Fernando Collor de Mello contará com o apoio técnico e financeiro do Instituto de Reconstrução Industrial (IRI), "holding" do governo italiano que controla as empresas estatais e as companhias de capital misto do país que têm a participação do estado. O IRI também irá retomar seus investimentos no Brasil, conforme ficou acertado no encontro de ontem, em Roma, entre o presidente eleito e o presidente da "holding", Franco Nobili. A definição de projetos de investimentos, no entanto, só ocorrerá após a posse de Collor, mas a lista que serviu de base para a reunião de ontem inclui a participação italiana na duplicação das instalações da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) para mais 3,2 milhões de toneladas por ano, e o fornecimento de instalações fixas para o metrô de São Paulo no valor de US$90 milhões. A relação prevê, ainda, entre outros projetos, a participação na companhia do IRI de construção de centrais elétricas, a Ansaldo, na instalação das Centrais Elétricas de São José dos Campos (US$150 milhões) e de Paulínea (US$40 milhões). Franco Nobili disse que a retomada dos investimentos das empresas do IRI no Brasil tomará como base o acordo de cooperação entre Brasil e Itália, firmado em 17 de outubro do ano passado. Prevendo planos de investimentos de US$1,1 bilhão, o acordo ainda não saiu do papel. Ele não revelou, no entanto, o montante de recursos que o IRI se dispõe a aplicar no Brasil após a posse de Collor. "Tudo dependerá dos projetos", disse. Criado para a tarefa de comandar a reconstrução da Itália após a Segundo Guerra, o IRI transformou-se na maior "holding" do país, com participação em mais de 300 empresas e presença em 149 países. No Brasil, o IRI participa de seis empresas: a Itabrasco (Companhia Ítalo-Brasileira de Participações, onde tem 49% das ações), Companhia Siderúrgica de Tubarão (4,79%), Italimpianti (99,99%), Ansaldo do Brasil (48,70%), Coensa Construções Eletromecânicas (43,24%) e a Edilistas Editora de Listas Telefônicas (40%) (JB).