JAPÃO QUER OURO DA AMAZÔNIA PELA DÍVIDA

Um grupo de investidores privados japoneses pretende apresentar ao presidente eleito, Fernando Collor de Mello, o seguinte projeto: a compra, com deságio, de toda a dívida externa brasileria-- cerca de US$115 bilhões--, em troca da exploração das jazidas de ouro existentes na Amazônia, avaliadas preliminarmente em US$260 bilhões. A informação foi dada pelo economista Akio Miyake, consultor do grupo Mitsubishi. A Bishimetal Corporation Ltd., subsidiária da Mitsubishi é, segundo Miyake, a principal articuladora do empreendimento, que teria também participação de um grupo de empresas nipônicas dispostas a captar parte dos fartos recursos existentes no mercado de capitais daquele país (chegavam a US$3,4 trilhões, em 1988) para o projeto. Embora os contatos para a elaboração do empreendimento estejam sendo feitos há pelo menos três anos, a Mitsubishi estaria mantendo o assunto sob rigoroso sigilo, tendo em vista as implicações políticas de sua divulgação. Akio Miyake confirmou que há um estudo de empresas japonesas interessadas em participar de projetos de mineração na Amazônia, mas que seu governo não quer tomar posição sobre o tema. A idéia do projeto foi apresentada ao governo japonês através dos deputados Michio Watanabe, chefe da Coordenação para Definição da Política do Partido Liberal Democrático (partido do governo), Tatsuo Tanaka, presidente da Associação de Famílias dos Emigrantes Ultramarinos do Japão, e Toshio Nakayama, chefe da Divisão de Relações Exteriores do Partido Liberal Democrático. Esses políticos e algumas instituições financeiras japonesas teriam simpatizado com a idéia, o que estimulou à apresentação formal do projeto ao governo brasileiro, disse Miyake. Foram realizadas diversos encontros, em junho do ano passado, entre membros do governo brasileiro e uma comitiva japonesa integrada também por diretores da Mitsubishi. Eles foram recebidos pelo ministro das Minas e Energia, Vicente Fialho, pelo governador do Pará, Hélio Gueiros, pelo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), pelo Banco Central, e pelo presidente José Sarney. O governo brasileiro teria prometido estudar o assunto, solicitando o detalhamento do projeto, mas não chegou a dar resposta. Agora, a idéia estaria sendo reformulada para ser apresentada ao futuro governo (O Globo).