PESQUISA SOBRE OS MENORES DE PERNAMBUCO

Acostumados a viver na miséria, os menores abandonados de Pernambuco e
27581 internos da FEBEM (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor) já quase não
27581 têm ambição por uma vida melhor. Apesar de a maioria ter cursado uma ou
27581 algumas das quatro séries do 1o. Grau, grande parte não sabe o
27581 significado da palavra futuro e, ao serem indagados sobre o que pensavam a
27581 respeito do que ainda está por vir, muitos choravam antes de responder. A falta de perspectiva do menor carente foi constatada pela professora Semira Adler Vaisencher, do Departamento de Educação da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em levantamento feito através de entrevistas com 323 menores, com idade acima de 10 anos, internos em seis unidades da FEBEM. Uma das conclusões da pesquisa mostra que 5% dos entrevistados "sabem que terão um futuro ruim ou não terão futuro algum, pensando em morrer rápido ou aparecer morto". A maior parte dos menores entrevistados (23%) foi para a FEBEM por abandono. Entre os entrevistados, 12% não coseguiram sequer articular uma palavra para responder o que lhes era perguntado; poucos (apenas 4%) imaginam tornar-se profissionais liberais; 7% querem um trabalho sem vínculo empregatício, tal como engraxate ou pedreiro; só 11% sonham com um lar, e 6% deles querem simplesmente algum bem material, como um relógio ou um aparelho de televisão (JB).