EMPRESARIADO ENTRA COM US$8 BILHÕES PARA O AJUSTE

Desesseis bilhões de dólares-- este é o tamanho do "rombo" existente nas contas do governo (4,3% do PIB-- Produto Interno Bruto), que deverá ser dividido em partes iguais entre empresários e o setor público. A decisão foi o principal resultado dos dois dias em que cerca de 120 empresários estiveram reunidos, no Rio de Janeiro, no 2o. Encontro Nacional de Dirigentes Industriais (ENADI). Depois de muitos debates, a classe entendeu não haver mais possibilidade de os trabalhadores sofrerem com os ajustes e que terá de arcar com pouco menos de US$8 bilhões do déficit do governo. Os empresários decidiram que a conta será cobrada dos setores que conseguiram aumentar seus patrimônios através de lucros financeiros. A maior parte, no entanto, ficará com o setor financeiro. "Estamos dispostos a dar nossa cota de contribuição para que o país consiga superar esta crise", afirmou o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), senador Albano Franco (PRN/SE). Os participantes do 2o. ENADI decidiram reativar a UBE (União Brasileira dos Empresários), que desde o final dos trabalhos do Congresso Constituinte, em 1988, deixou de atuar como entidade representativa do setor. Albano Franco disse, no entanto, que nem a CNI nem a UBE entregarão qualquer documento contendo sugestões para que o país saia da crise ao presidente eleito Fernando Collor de Mello (JC) (O Globo).