O presidente eleito, Fernando Collor de Mello, foi recebido "com otimismo por banqueiros e empresários norte-americanos ontem em Nova Iorque. Fez sucesso e, numa reunião no final da manhã com cerca de 50 pesos-pesados da economia dos EUA, pediu 100 dias de governo para conquistar o respeito do empresariado norte-americano. Ultrapassado esse prazo, concitou os empresários e banqueiros a voltarem a investir no Brasil. A receita para o sucesso de Collor foi uma posição energética de combate à inflação-- ele prometeu reduzi-la a, no máximo, 10% ao mês até 15 de junho, e a 3% em 18 meses--, um violento ataque ao gigantismo estatal, uma postura favorável ao investimento estrangeiro no Brasil e uma retórica moderada em relação à dívida externa". Collor disse que é "contra qualquer controle na economia e contra o capitalismo primitivo e ignorante que vigora no Brasil". Prometeu também lutar com obstinação para que o Brasil, plenamente desenvolvido, tenha
27536 uma participação igual à das nações industrializadas do primeiro mundo
27536 nas decisões sobre os grandes temas internacionais. Os banqueiros ouviram do presidente eleito a promessa de retomada das negociações da dívida externa assim que tomar posse. David Rockefeller, presidente do Conselho das Américas e maior acionista do Chase Manhattan Bank (um dos principais credores do Brasil), disse que a impressão geral (do desempenho de Collor) foi muito boa. Henry Kissinger, ex-secretário de Estado, afirmou que teve "muito boa impressão", e prometeu atuar junto ao governo dos EUA para auxiliar o Brasil. Collor almoçou com cerca de 650 empresários reunidos pelo Conselho das Américas e pela Câmara de Comércio Brasil-EUA (FSP) (JC) (GM).