Diante de "evidentes indícios de peculato, furto ou uso indevido de bem público", Odilon Rebés Abreu, diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), enviou à Procuradoria-Geral do Estado e à Procuradoria- Geral de Justiça, para investigações administrativas e criminais, extenso relatório sobre o desaparecimento de um caminhão Ford 11.000 e um grupo gerador MWM, cedidos à Casa Militar no governo Amaral de Souza, em 1982, para um projeto secreto controlado pelo SNI (Serviço Nacional de Informações). O caminhão e o gerador seriam utilizados, na verdade, para demonstrar ao Ministério das Minas e Energia o funcionamento do "Reator Chambrin", um invento do engenheiro francês Jean Pierre Marie Chambrin que substituiria o óleo diesel e a gasolina por álcool altamente hidratado, numa mistura de 50% de álcool e 50% de água. Sob a tarja de "confidencial" num ofício em que pedia os equipamentos, o coronel Luiz Diógenos Chaves Couto, então chefe da Casa Militar, autorizou o também coronel Hélio Lourenço Ceratti, diretor da companhia na época, a "eliminar a cópia de correspondência que foi entregue pelo Dr. Waldyr Maggi". Essa correspondência seguiu anexa ao pedido de cessão de equipamento, em dezembro de 1981, e seu teor é ignorado até o momento. O coronel Couto assinou um ofício de recebimento do material em cinco de janeiro. Inexplicavelmente, a diretoria colegiada da CEEE só autorizou a cessão 20 dias depois, em ata assinada por nove diretores. Vencido o prazo de seis meses para devolução do equipamento, a pendência sobre seu destino foi mantida através de sucessivos despachos de várias autoridades (JB).