VÍTIMAS DO CÉSIO-137 ESTÃO SEM ASSISTÊNCIA

Mais de dois anos após o acidente com o Césio-137 em Goiânia (GO)-- que causou a morte de quatro pessoas e deixou 245 contaminadas depois que um aparelho de radioterapia foi aberto pelo dono de um ferro-velho em 24 de setembro de 1987--, permanecem insuficientes os meios para o atendimento às vítimas e o acompanhamento de todos os envolvidos, direta ou indiretamente, no acidente. A conclusão consta de relatório dos físicos Luiz Pinguelli Rosa (diretor da Coordenadoria de Programas de Pós- Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Carlos Roberto Appoloni (Universidade de Londrina, Paraná), datado de dezembro de 1989 e enviado à Sociedade Brasileira de Física (SBF). No relatório, os físicos criticam a impunidade dos responsáveis pelo acidente (que continuam trabalhando numa clínica de radioterapia) e consideram Insuficientes" os relatórios da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) sobre as causas do acidente e suas consequências a médio e longo prazos. Eles afirmam que "permanecem insuficientes os meios para proteção radiológica e o sistema de fiscalização de material radioativo usado em hospitais, laboratórios e indústrias", em todo o país. Um dos problemas mais graves citados no relatório é o aumento do risco de doenças a médio e a longo prazos, que exigem "cuidadoso acompanhamento dos atingidos em diferentes graus" (FSP).