COLLOR APROVA PLANO DE COMBATE À INFLAÇÃO

O presidente eleito, Fernando Collor de Mello, aprovou ontem o plano econômico que lhe foi apresentado por Zélia Cardoso de Mello e um grupo de outros seis economistas. "A linha básica do plano está aprovada", disse o presidente eleito recomendando aos economistas que evitassem divulgar pormenores do programa. Segundo as informações, o plano prevê, numa primeira etapa, a eliminação do déficit público, estimado este ano em US$30 bilhões, ou 7% do PIB (Produto Interno Bruto). Numa segunda etapa, que vai depender de avaliações políticas, será tentada a cartada decisiva: a desindexação da economia mediante negociações com trabalhadores e empresários. São as seguintes as principais medidas do plano: dívida externa-- o governo vai limitar, unilateralmente, o pagamento dos juros e outros serviços da dívida externa. O objetivo é pagar o máximo de US$5 bilhões por ano; dívida interna-- os economistas que elaboraram o plano garantem que não haverá calote. Mas estão previstas medidas que desestimulem as aplicações diárias no "overnight". Os juros reais serão pagos apenas para aplicações com prazos superiores a 30 dias; arrecadação-- o novo governo quer aumentar a receita via combate à sonegação: revisão das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Não estão descartadas a tributação de grandes fortunas e o aumento do IR (Imposto de Renda) sobre o lucro das exportações; preços e salários-- o novo governo não quer mexer na política salarial nem congelar os preços. Para quebrar a realimentação da inflação pela indexação da economia, a idéia é promover uma desindexação por meio de negociações. No lugar de negociarem simples reposições de perdas salariais decorrentes da inflação passada, trabalhadores e empresários pactuariam um sistema de reajuste com base nas expectativas futuras de inflação, a exemplo do que foi feito no México; privatização-- o novo governo quer acelerar o processo de privatização. Os trabalhadores serão convocados a participar dessa privatização. A conversão da dívida externa em investimentos poderá ser uma forma de apressar a privatização. Mas nesse caso a prioridade é para os projetos que visem ampliar a capacidade produtiva das empresas, para evitar que haja apenas uma simples troca de proprietário; subsídios e incentivos-- serão suspensos, reduzidos ou simplesmente eliminados; câmbio-- deverá haver uma maxidesvalorização do cruzado e estuda-se a criação de uma faixa livre de flutuação do dólar norte-americano; capital estrangeiro-- o fim da reserva de mercado é um dos principais instrumentos para a abertura da economia brasileira à concorrência internacional (JC) (JB).