PLANO DE COLLOR PROPÕE PACTO CONTRA A INFLAÇÃO

O plano que a equipe da economista Zélia Cardoso de Mello apresentará ao presidente eleito, Fernando Collor de Mello, propõe a reorganização da economia através de um pacto social e tem como meta derrubar a inflação para 5% em três meses. Inspirada nos programas adotados no México e em Israel, a proposta prevê, em vez de congelamento ou liberalização total dos reajustes, o fim da indexação na economia com a negociação de novo esquema de correção dos preços e salários entre o governo e representantes de trabalhadores e empresários. O plano oferece a Collor a opção de estabelecer limites máximos e mínimos de reajustes salariais para as negociações entre patrões e empregados. O pacto seria acompanhado de um rigoroso ajuste fiscal para provocar uma redução no déficit público de US$14 bilhões, ou seja, 4% do PIB (Produto Interno Bruto). Isso seria conseguido com a eliminação de subsídios e incentivos, com realinhamento de tarifas públicas e aumento de impostos. O aumento das tarifas públicas, chamado "tarifaço", e o reajuste do câmbio são os componentes mais amargos do plano (JB).