A consideração de que algumas questões a serem discutidas eram de cunho conceitual da própria legislação brasileira de informática-- e, portanto, deveriam ser analisadas não pelo atual governo, em fim de mandato, mas pelo próximo-- foi a razão alegada pelo presidente José Sarney para o cancelamento da reunião do Conselho Nacional de Informática e Automação (CONIN) marcada para ontem, em Brasília. A informação foi dada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Décio de Zagottis, como explicação para o cancelamento da que seria a 11a. e última reunião do CONIN no atual governo, desmarcada a menos de 24 horas de sua realização. Ao saber que seriam decididos os pedidos de cancelamento dos recursos da Elebra Computadores, para importação de superminis Microvax, da Digital norte-americana; do Unix System Five da AT&T, também dos EUA; e, principalmente, que seria decidida a continuidade ou não de doações incentivadas por empresas às universidades, Sarney decidiu pelo cancelamento. O cancelamento significa que os três principais recursos que seriam votados ficam pendentes para o governo Collor de Mello. Enquanto isso, a Elebra pode importar os Microvax e as empresas brasileiras interessadas internar legalmente o Unix da AT&T, em detrimento da proposta de padronização do Sox da Cobra Computadores, cujo desenvolvimento exigiu recursos do próprio governo (JC).