O ministro da Justiça, Saulo Ramos, determinou ontem a transferência de garimpeiros para três áreas (num total de 665 mil hectares) dentro do território Yanomani, em Roraima. A medida contraria liminar da Justiça Federal que determina a interdição e a "retirada imediata" dos 45 mil garimpeiros da região. A decisão foi tomada durante reunião do ministro com representantes da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), SADEN (Secretaria de Assessoramento Nacional), entre outros órgãos, em Brasília. As áreas concedidas ficam entre as aldeias Yanomanis, em uma região definida pela FUNAI como "Floresta Nacional". O ministro tentou justificar a concessão das áreas afirmando que "nenhuma decisão judicial pode determinar o impossível". Com esta declaração ele reconhece a incapacidade do governo em retirar os garimpeiros. Com o recuo do governo em retirar os garimpeiros das terras indígenas, a "Operação Canaimé", que previa a interdição das pistas clandestinas de pouso nos garimpos pela Polícia Federal foi suspensa. A reserva indígena é estimada em 9,4 milhões de hectares de área contínua. Pela proposta formulada pelos garimpeiros e pelo governo de Roraima, o governo federal aceitou reduzir a área Yanomani para Ilhas" num território que, somado, chega a pouco mais de dois milhões de hectares. Essas Ilhas" estarão cercadas de reservas de garimpo. Por achar que a mudança de área coloca em risco a vida de centenas de índios, o sertanista da FUNAI Sydney Possuelo, coordenador da retirada de garimpeiros, e o administrador regional da FUNAI em Boa Vista, José Maria Nascimento, se desligaram ontem da operação (FSP) (O Globo).