PRESIDENTE DA ABRA VÊ ESVAZIAMENTO DA REFORMA AGRÁRIA

Há sérios indícios de que o governo federal pretende esvaziar o
2708 processo de reforma agrária, que seria a única maneira-- eficaz e
2708 econômica-- de reverter a situação de miséria absoluta em que vive
2708 grande parte da população brasileira. Esta afirmação é feita por Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA). Entre esses indícios, ele cita a decisão do presidente José Sarney de excluir dos Planos Regionais de Reforma Agrária (PRRAs) a fixação de áreas prioritárias para desapropriação e de ter nomeado para a presidência do INCRA, Pedro Carmo Dantas, que não tem "a menor vivência do assunto". Pedro Dantas foi secretário da Agricultura do Distrito Federal, durante o governo Geisel. E Flávio Teles de Menezes, presidente da Sociedade Rural Brasileira, afirma que a proposta inicial do Plano Nacional de Reforma Agrária colocava o processo de distribuição de terras sob o comando dos trabalhadores. "E isso era um exagero que não se poderia aceitar em um regime democrático"-- diz ele, acrescentando que as alterações eram necessárias para que "a outra parte fosse ouvida e tivesse seus direitos respeitados". Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (FETAESP), Roberto Toshio Horiguti, "a busca de um consenso com os proprietários rurais para a implantação da reforma agrária constitui-se em "uma traição aos compromissos assumidos pelo presidente José Sarney no 4o. Congresso dos Trabalhadores Rurais", realizado em maio do ano passado em Brasília (FSP).