A falta de recursos que está desmobilizando a construção da Usina Hidrelétrica de Itá (SC) transformou o canteiro de obras, de 350 quilômetros quadrados, num enorme deserto, deixou cerca de seis mil habitantes do município sem expectativas para uma vida normal e põe em risco todo o sistema produtivo da região sul na década de 90, por falta de energia elétrica. Iniciada em 1981, a Usina de Itá, que aproveita os vales em torno do Rio Uruguai na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, já sofreu inúmeras desmobilizações, e hoje o ritmo da obra está 70% abaixo do planejado. Junto com Itá, as usinas termelétricas de Tubarão (SC) e Charqueadas (RS) também estão com grande defasagem no cronograma, em função das dívidas da ELETROSUL com as empreiteiras. Nas contas de julho até o final de outubro passado, a ELETROSUL (subsidiária da ELETROBRÁS) devia mais de US$70 milhões às 10 empreiteiras que realizam as obras civis de Itá. No início do ano foram demitidos mil trabahadores e, recentemente, outros 300 (JB).