EUA INVADEM O PANAMÁ

Os EUA invadiram ontem o Panamá, com o objetivo de derrubar o regime do general Manoel Noriega. Realizada por 23 mil homens fortemente armados, a invasão foi anunciada pelo presidente George Bush às 7h 20m, pela televisão. "Tomei essa decisão depois de chegar à conclusão de que todas as outras vias tinham sido fechadas", afirmou o presidente norte- americano, referindo-se aos longos meses de confronto com Noriega, acusado de tráfico de drogas pela Justiça dos EUA. O general Noriega-- que está foragido-- foi substituído no poder por Guillermo Endara, vencedor das eleições realizadas em maio e posteriormente anuladas. Pela primeira vez em 75 anos de existência, o Canal do Panamá foi fechado, como prevenção contra manobras de sabotagem. A Inglaterra foi o único país a apoiar firmemente os EUA. A URSS condenou a invasão, assim como a maior parte dos países latino-americanos, inclusive o Brasil. O presidente José Sarney qualificou a invasão como um retrocesso nas relações internacionais do continente. Depois de lamentar que fosse necessária uma posição de força para resolver o problema do Panamá, o presidente Sarney defendeu "soluções negociadas através do diálogo, acrescentando que "nós sempre fomos favoráveis à autodeterminação dos povos". O presidente eleito, Fernando Collor de Mello (PRN), distribuiu nota através de sua assessoria afirmando que lamentava que "no mundo moderno as potências internacionais se utilizem de poderes militares para interferir em outros países". "Os problemas de cada país devem ser resolvidos pelos seus próprios povos", dizia a nota (JB).