O presidente eleito, Fernando Collor de Mello (PRN), anunciou ontem através de sua assessoria que pretende fazer uma devassa no governo do presidente José Sarney e adotar medidas "moralizadoras" nos primeiros dias do mandato. Seu assessor de imprensa, Cláudio Humberto Rosa e Silva, disse que Collor vai criar a operação "pega-ladrão" para investigar atos de Sarney, como a Ferrovia Norte-Sul. Segundo ele, Collor vai morar em sua casa e não no Palácio Alvorada, que servirá para hospedar os chefes de nações que visitarem o país. O presidente eleito quer também reabrir a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Corrupção, reduzir os Ministérios e transformar o SNI (Serviço Nacional de Informações) em órgão de assessoria para assuntos estratégicos. Seu assessor de imprensa disse que o presidente eleito pretende publicar no "Diário Oficial" da União do dia 16 de março-- dia seguinte a posse-- um "pacotaço" de medidas econômicas, incluindo as mudanças nos critérios de aplicação no "overnight" e uma lei antitruste, para o controle de formação de cartéis. O "pacotaço" colocará à venda ainda os apartamentos funcionais e as mansões dos ministros. E mais: virão também as medidas necessárias à extinção de subsídios "e de qualquer cartório ou estatal ineficiente" (FSP) (JB).