O deputado federal Luís Inácio da Silva (PT) concedeu ontem, em São Paulo, entrevista coletiva em que reconheceu a derrota para Fernando Collor de Mello (PRN). "Lula" chamou o presidente eleito de Imoral" e disse que o PT vai montar um "governo paralelo" para "questionar cada mentira" da próxima administração. "Lula" disse que não se sentará à mesa para negociar com Collor. "Sou oposição intransigente", afirmou o candidato derrotado da Frente Brasil Popular (PT, PSB e PC do B). Disse, no entanto, que o PT poderá aprovar no Congresso Nacional projetos do Executivo que beneficiem a classe trabalhadora. O candidato derrotado afirmou que não concorrerá ao governo do Estado de São Paulo em 1990. "Lula" teve 6.739.378 votos no estado (36,43%) e Collor, 9.270.503 (50,11%). Lula não se considera um perdedor, disse que "o Brasil perdeu a oportunidade de ter alguém que tenha a verdade nos olhos". "Quem ganhou a eleição foi a mentira". "A falsidade ganhou a eleição". "O baixo nível ganhou a eleição", afirmou, reconhecendo que seu adversário "ganhou as eleições e isto tem que ser respeitado". Segundo o secretário-geral do PT, José Dirceu, a função do "governo paralelo" é "criticar" o governo real e "apresentar alternativas". Ele disse que a atuação seria fora do Congresso Nacional e não deverá ser institucionalizada como mecanismo legal previsto em eventual emenda constitucional (FSP).