Os sequestradores do empresário Abílio Diniz, vice-presidente e sócio do grupo Pão-de-Açúcar-- libertado anteontem-- foram torturados pela Polícia de São Paulo para contar onde o empresário estava encarcerado. A afirmação é dos advogados Idibal Piveta, Joaquim Cerqueira César e Belisário dos Santos. Eles compareceram ontem à Polícia Civil a pedido do cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. O cardeal disse, durante as negociações do resgate anteontem, que constatara que os sequestradores haviam sido submetidos a maus-tratos. "Eles tiveram da Polícia um tratamento não condizente com a pessoa humana". "Alguns deles estão em condições de saúde razoável; outros estão em condição que vai do razoável para o sofrível", afirmou Piveta. O advogado Belisário dos Santos, que também é da Anistia Internacional, afirmou que "eles foram torturados visivelmente com choques, pancadas e afogamentos". Os delegados Gilberto Cunha e Fernando Costa, responsáveis pelo desfecho do sequestro, negaram as torturas (FSP).