BRASIL QUER TROCAR DÍVIDA POR VERBAS PARA ALFABETIZAÇÃO

O Brasil vai propor, com a aprovação de todos os países latino- americanos, a conversão de parte da dívida externa em programas educacionais para o ensino básico, na Conferência Mundial Sobre Educação Para Todos, que acontecerá em março do próximo ano, na Tailândia. O evento será a abertura oficial do Ano Internacional da Alfabetização, marcado para 1990 pela UNESCO (órgão das Nações Unidas para Educação). Cada continente levará propostas tiradas a partir de reuniões com representantes de seus países. A proposta brasileira foi apresentada em Quito (Equador), há duas semanas, na reunião preparatória da América Latina para a conferência da Tailândia, e aprovada por unanimidade pelos demais representantes latinos. Alfabetizar e Libertar é o nome do documento que a Comissão Nacional para o Ano Internacional da Alfabetização preparou, durante cinco meses, para levar à conferência de março. No documento, há um panorama da alfabetização no Brasil e um cronograma de ação para se traçar um programa nacional de combate ao analfabetismo. O documento mostra que está no Brasil a maioria dos 45 milhões de analfabetos da América Latina: 31 milhões de brasileiros não sabem ler nem escrever e, além disso, cerca de nove milhões de crianças entre sete e 14 anos estão fora da escola, candidatando-se a aumentar o total de analfabetos que, hoje, chega a 4% dos 900 milhões em todo o mundo. No mesmo panorama, o Brasil aparece com uma população onde metade das pessoas não está preparada para enfrentar "a complexidade" do sistema produtivo, onde estão catalogadas 35 mil profissões. Além disso, se o percentual de analfabetos brasileiros caiu da década de 70 para 80, em números absolutos houve um aumento considerável. Nos anos 70, os 19 milhões de analfabetos contabilizados representavam 30% da população. Hoje, embora o percentual tenha caído para 27%, não se conseguiu acompanhar o acelerado crescimento populacional e o Brasil ficou com 12 milhões a mais de analfabetos (JB).