No ano 2020 mais de 85% dos brasileiros viverão em áreas urbanas, o número de pessoas idosas terá dobrado, 10% da população vai ter mais de 65 anos e as doenças cardiovasculares, o câncer e as causas externas (acidentes, homicídios e suicídios) serão responsáveis por 74% dos óbitos. Dentro de 30 anos, a AIDS assumirá proporções catastróficas no país e o custo da saúde por pessoa dobrará em termos reais. Estes dados fazem parte do relatório "Políticas de Saúde no Brasil: seu Ajustamento a Novos Desafios", elaborado pelo BIRD (Banco Mundial) e encaminhado ao governo brasileiro. O estudo defende a tese de que a crescente demanda de tratamento de câncer, problemas cardíacos e AIDS, doenças características de países desenvolvidos, exigirá esforços que deveriam merecer prioridade máxima, tais como os de prevenção não só desses novos males, como também dos "antigos" e ainda existentes no país, como a desnutrição e as doenças infecto-parasitárias, típicas de nações subdesenvolvidas. Nas duas últimas décadas, no entanto, os óbitos associados ao subdesenvolvimento foram reduzidos. As taxas de mortalidade infantil caíram mais de 40%, entre 1965 e 1985, e os óbitos por doenças infecciosas e parasitárias baixaram cerca de 70%, entre 1960 e 1980. A proporção de óbitos atribuídos às doenças cardiovasculares, câncer e às chamadas causas externas subiu de 38%, em 1960, para 54%, em 1986. Para os técnicos do BIRD, essas mudanças estatísticas são consequência de uma transição demográfica e epidemiológica. A primeira decorreu da migração interna, maciça a partir da década de 50. Já a transição epidemiológica refere-se às doenças dos países industrializados e das pessoas ricas (câncer, males crônico-degenerativas, AIDS), que começam a predominar sobre as infecto-parasitárias características das nações pobres (JB).