SOMENTE SARNEY PODERÁ ANTECIPAR A POSSE DO NOVO PRESIDENTE

Só a vontade do presidente José Sarney poderá determinar a antecipação da posse de seu sucessor, prevista para 15 de março de 1990. Na avaliação de parlamentares e funcionários do governo, o consentimento de Sarney, que teria de abrir mão de parte de seu mandato, é condição essencial para qualquer mudança no calendário da sucessão. Sem isso, nem mesmo o Congresso Nacional poderia ser convocado para examinar o assunto em sessão extraordinária. Em diversas ocasiões, Sarney declarou que pretende cumprir até o último dia o mandato de cinco anos pelo qual lutou no Congresso Constituinte. O candidato do PRN, Fernando Collor de Mello, é contrário à antecipação da posse do presidente eleito, que está prevista para se realizar em 15 de março. Há duas semanas, porém, ele passou a considerar que, no caso de um agravamento da crise econômica, a antecipação pode se tornar um fato irreversível, mas mantém sua posição, argumentando que a Constituição deve ser respeitada. O candidato da Frente Brasil Popular (PT, PSB e PC do B), Luís Inácio da Silva, desde o início da campanha, vem mantendo uma posição contrária à antecipação da posse, mas admite a hipótese de assumir, caso a iniciativa parta do presidente Sarney. "Temos que ter tempo". "Não gostaria da posse antecipada, mas se Sarney quiser deixar o governo antes, eu estou pronto para assumir o barco", disse o candidato (FSP).