A fuga líquida de capital do Brasil (com base em análises das contas de capitais do balanço de pagamentos) deverá situar-se, ao final deste ano, entre US$6 bilhões e US$10 bilhões, atingindo, dessa forma, níveis recordes e bastante acima do pico de US$4,98 bilhões registrados em 1984. Em 1989, ao contrário dos anos anteriores, espera-se também que ocorra maior evasão do capital, via comércio, podendo superar, até mesmo, os cerca de US$1 bilhão observados, anualmente, no período entre 1985 e 1987. Motivo: o elevado ágio neste ano no mercado paralelo de câmbio em níveis muito acima de sua média histórica de 35%. A grande diferença entre as cotações do dólar oficial e paralelo aumenta o interesse pelo subfaturamento de exportações e inibe o subfaturamento de importações. As projeções são do economista do Centro de Estudos Monetários e de Economia Internacional (CEMEI) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Arno Meyer, e fazem parte do trabalho "A Fuga de Capital do Brasil" (GM).