PLANOS DE REFORMA AGRÁRIA DOS CANDIDATOS

O candidato do PT à Presidência da República, Luís Inácio da Silva, tem reafirmado em seus pronunciamentos que, caso eleito, vai realizar a reforma agrária no Brasil. O programa da Frente Brasil Popular (PT, PSB e PC do B), que apóia "Lula", no que se refere à reforma agrária: assentamento de cinco milhões de trabalhadores sem terra nos cinco anos de governo. O programa de Fernando Collor de Mello, do PRN, para a reforma agrária é: garantir em cinco anos de governo o assentamento de 500 mil famílias, apenas 10% da meta traçada por "Lula". Qualquer que seja o próximo presidente, a efetivação do projeto de reforma agrária vai exigir determinação política e, sobretudo, recursos financeiros. Para cumprir a meta de campanha, "Lula" terá, por exemplo, de assentar, diariamente, 2.739 famílias, ou 114 famílias por hora, ou, ainda, 1,9 família por minuto durante cinco anos de governo. Se cumprir sua meta, em apenas oito dias de governo "Lula" terá superado o número de assentamentos feitos nos cinco anos de governo do general Emílio Médici; em apenas um dia garantirá três vezes mais assentamentos do que os feitos pelo general Costa e Silva; e em 42 dias baterá o recorde estabelecido pelo governo José Sarney, que em cinco anos assentou 114 mil famílias. Os números de Fernando Collor de Mello também são expressivos, considerando-se que nos últimos 25 anos os sucessivos governos garantiram a posse da terra para apenas 225 mil famílias, numa área desapropriada superior a 17 milhões de hectares. Para cumprir sua meta, Collor teria que assentar diariamente 273 famílias ou 11 famílias por hora em cinco anos de mandato. Mesmo que cumpram suas promessas de campanha, Collor ou "Lula" não resolverão a questão da posse da terra no Brasil. Segundo levantamento do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e da CPT (Comissão Pastoral da Terra), há 12 milhões de famílias brasileiras que não possuem um lote de terra onde possam morar e retirar o sustento (JB).