PESQUISA MOSTRA QUEDA REAL DOS SALÁRIOS ESTE ANO

Os trabalhadores urbanos do país ficaram mais pobres desde o início do ano. Os salários da maioria das pessoas ocupadas nas grandes regiões metropolitanas, que trabalhavam com carteira assinada, correspondiam, em agosto, a cerca de 90% do valor real de janeiro e pouco mais de 80% dos rendimentos recebidos em 1986, o ano do "Plano Cruzado". Esses índices fazem parte da pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre a evolução dos rendimentos reais das pessoas ocupadas, de janeiro de 1985 a agosto deste ano. A pesquisa abrangeu as seis regiões metropolitanas do país que empregam a maioria dos trabalhadores urbanos-- São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE) e Porto Alegre (RS). O estudo constatou que os ganhos obtidos durante o "Plano Cruzado", quando o rendimento médio real se elevou em 35% sobre a média de 1985 para os trabalhadores com carteira assinada, foram gradualmente corroídos ao longo de 1987, 1988 e 1989, depois de ligeira recuperação em janeiro deste ano. Em agosto os rendimentos voltaram a níveis próximos dos registrados em 1985. De acordo com a pesquisa, São Paulo ainda é a região onde mais se ganha e se emprega a maior parte dos trabalhadores. Do total de cerca de 16,6 milhões de empregados urbanos das seis regiões, quase a metade está ocupada em São Paulo. Tomando por base o salário de 1985, os rendimentos reais dos empregados com carteira nessa região, em agosto, estavam 19% acima dos pagos por Porto Alegre, a segunda região que melhor remunera. O terceiro lugar em melhores salários é o Rio de Janeiro, segundo principal empregador, que paga 4% abaixo de Porto Alegre e 6% acima de Salvador. A distância entre São Paulo e Recife, onde estão os piores salários, chegava a 43% em agosto. Há pequenas diferenças entre a evolução dos rendimentos para cada região, mas em todas o IBGE constatou que os salários sofreram acentuada deterioração desde o "Plano Cruzado" (FSP).