PROGRAMA DE COLLOR ERRA NO SALÁRIO E NA RECEITA

A proposta de elevar o salário-mínimo para US$350 em cinco anos, feita pelo candidato do PRN à Presidência da República, Fernando Collor de Mello, é 78% menor que os ganhos reais previstos na lei do salário- mínimo, considerado o mesmo período. A lei em vigor prevê um aumento real (acima da inflação) de 3% ao mês. A proposta de Collor estabelece um ganho real mensal de apenas 2,05%. Estes cálculos foram feitos ontem pela assessoria do Ministério do Trabalho, tomando como base um salário- mínimo por volta de US$100 este mês. O candidato da Frente Brasil Popular (PT, PSB e PC do B), Luís Inácio da Silva, na avaliação de assessores do Ministério do Trabalho, estava certo quando criticou durante o debate na TV no último dia três a proposta do candidato do PRN. A lei do salário- mínimo, aprovada e sancionada pelo Congresso Nacional em julho deste ano, estabelece um ganho real de 3% ao mês para o mínimo e em cinco anos (tempo de mandato do próximo presidente) elevará o menor salário pago no país para US$625,04, de acordo com os cálculos do Ministério do Trabalho. Em outra questão, a da arrecadação tributária, Fernando Collor de Mello também fez cálculos errados, segundo o corpo técnico da SRF (Secretaria da Receita Federal), que acha muito difícil que ele, caso eleito, cumpra a promessa de conseguir US$45 bilhões, em cinco anos, apenas com o combate aos sonegadores de impostos. Os técnicos da Receita informam que existe uma massa de sonegação compatível com a arrecadação adicional pretendida por Collor, mas de recuperação muito difícil, porque a sonegação é bastante dispersa e o governo está desaparelhado (JC).