Uma comissão de técnicos e pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Indígenas constatou na semana passada vários focos de invasão de garimpeiros na reserva indígena Pimentel Barbosa, localizada a 45 quilômetros do Município de Água Boa, na região leste do Mato Grosso. A reserva é habitada por índios Xavante. Segundo membros da comissão, a maior incidência de invasões ocorreu na aldeia de Água Branca, cortada pelo rio das Mortes. Os membros da comissão ainda não calcularam o número de garimpeiros que atuam na área. Eles visitaram a reserva na semana passada. O Núcleo de Pesquisas Indígenas foi fundado pela UNI (União das Nações Indígenas) e coordena a recuperação de áreas degradadas da reserva. Segundo Wanderlei de Castro, consultor técnico do núcleo, a maior parte dos invasores da reserva indígena Pimentel Barbosa vem dos garimpos de Serra Pelada, no Pará, e de Peixoto Azevedo, no norte de Mato Grosso. "Os garimpeiros são portadores de malária e de outras doenças tropicais e constituem um perigo para os índios", afirmou Castro. O presidente da Associação dos Índios Xavante, Cipacé Xavantes, disse que os índios vão tentar negociar "com diplomacia" a desocupação das áreas invadidas. No entanto, ele afirmou que "por bem ou por mal" os garimpeiros vão ter de sair da reserva. "Nem que para isso tenhamos de utilizar a violência", disse (FSP).