O presidente José Sarney, seus principais auxiliares-- entre eles o chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações), Ivan Mendes-- e o chanceler Abreu Sodré tinham conhecimento de que a indicação do secretário-geral do Itamaraty, Paulo Tarso Flecha Lima, para a embaixada na Inglaterra era um risco, capaz de gerar desgaste político. Sarney foi advertido de que Flecha Lima poderia ser responsabilizado pelas irregularidades da Fundação Visconde Cabo Frio, da qual é diretor-presidente, a partir de documentos da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU). O Itamaraty não quer se pronunciar. Assessores presidenciais mostram-se, agora, preocupados. Uma detalhada auditoria do TCU revela 37 irregularidades graves na fundação, subordinada ao Itamaraty, envolvendo, envolvendo fraudes e desvio de recursos, contratações irregulares e compras sem licitação. Os inspetores exigem de Flecha Lima uma explicação e ele corre o risco de ter de devolver dinheiro aos cofres públicos (FSP).