AS FRAUDES NO ITAMARATY

As 37 irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nos contratos firmados entre o Ministério das Relações Exteriores com a Fundação Visconde de Cabo Frio-- entidade privada sem fins lucrativos vinculada ao Itamaraty-- lesaram o país em pelo menos NCz$79,2 milhões. O prejuízo total, porém, ultrapassa em muito essa quantia, por conta de favorecimentos e contratos mal conduzidos por serviços encomendados à fundação e nem sempre prestados. As irregulaaridades são tantas e tão grandes que chegaram a assustar os fiscais do TCU. Nelas estariam envolvidos desde funcionários subalternos da fundação até o secretário geral do Itamaraty, Paulo Tarso Flecha de Lima. No relatório de quase 80 páginas, os auditores do TCU recomendam que os envolvidos devolvam o dinheiro à União e recebam punições administrativas e criminais. Segundo os auditores, a fundação mostrou-se superavitária em 1988, mas os lucros-- de NCz$7,2 milhões, em valores atualizados a outubro-- não foram encaminhados ao Ministério, embora ele sustente a fundação com pessoal, equipamentos e espaço físico. Em depoimento por escrito à comissão de sindicância criada pelo próprio Itamaraty, Paulo Tarso informara que a fundação ocupa apenas uma sala de 40 metros quadrados no Palácio do Itamaraty e que não usa equipamentos do Ministério. No entanto, o relatório constata que a entidade ocupa três mil metros e serve-se de equipamentos e pessoal do Ministério até mesmo para obter lucros com clientela externa (O Globo).