A Polícia Federal alega não ter condições materiais para efetuar a remoção dos cerca de 50 mil garimpeiros que ocupam, irregularmente, território indígena pertencente aos Yanomanis, no Estado de Roraima. A remoção foi determinada por uma medida liminar obtida pelo Ministério Público junto à 7a. Vara Cível do Distrito Federal, no final do mês passado. Segundo a PF, faltam policiais preparados para participar de uma operação desse tipo-- a ser executada na selva, com a duração de 60 dias. Os garimpeiros ocupam diversas áreas espalhadas pelo território de Roraima. Grupos de defesa dos direitos indígenas calculam que exista uma centena de pistas clandestinas para pouso de pequenos aviões que servem ao transporte de garimpeiros. Muitas dessas pistas estão próximas ou juntas a aldeias indígenas. Em ofício encaminhado ao juiz federal da 7a. Vara, Novely da Silva Reis, no último dia 14, a PF apresenta uma outra justificativa para o não- cumprimento da liminar. Diz que a medida "reveste-se de elevado grau de complexidade operacional, apresentando custos contrastantes à perda de disponibilidade de recursos financeiros desse órgão". Pelos cálculos do Serviço de Ordem Pública (SOP) da Polícia Federal, as despesas com passagens aéreas, diárias dos policiais e aluguel de dez aviões para o transporte dos garimpeiros ultrapassariam NCz$24 milhões. Haveriam, ainda, outros gastos, com combustíveis e aluguel de barcos. O ministro da Justiça, Saulo Ramos, declarou publicamente, logo após a concessão da liminar, que o governo iria cumprir a medida judicial. Até agora, no entanto, ficou no anúncio de uma comissão mista, envolvendo pessoal da PF e da FUNAI, que iria estudar uma solução operacional para a remoção (FSP).