Os integrantes do Fórum dos Empresários estão convencidos de que apenas Fernando Collor de Mello (PRN) reúne condições para compatibilizar o programa de ajuste da economia às reais necessidades do país. Mesmo assim, a maioria dos representantes da classe empresarial não está disposta a "emitir um cheque em branco em favor de qualquer dos candidatos à Presidência da República, pois quer conhecer melhor os detalhes de suas propostas", informou Carlos Eduardo Moreira Ferreira, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), porta-voz da entidade. O apoio ao programa econômico de Collor foi a forma encontrada pelos membros do Fórum dos Empresários, ontem, durante reunião, de manifestar seu repúdio à plataforma eleitoral do seu opositor no segundo turno das eleições presidenciais, Luís Inácio da Silva. Romeu Trussardi, presidente da Associação Comercial de São Paulo, que revelou ter votado em Afif Domingos no primeiro turno, disse ser indispensável conhecer em detalhes o programa de cada um dos candidatos, para que a sociedade possa votar de forma consciente em 17 de dezembro. A diretoria da FIESP, durante reunião realizada no final da tarde, acha que isso só não basta: "Será preciso também conhecer os nomes das pessoas que irão ocupar cada posto da área econômica", disse Moreira Ferreira. Os empresários ligados à FIESP estão empenhados em contribuir de forma direta para a vitória de Collor. Estão preocupados com o efeito da militância dos partidários de "Lula". Durante a reunião da diretoria da FIESP, alguns empresários propuseram o engajamento de representantes da classe na campanha de Collor. A proposta, porém, pode esbarrar na recusa formal por parte de Collor à contribuição empresarial, alertou o assessor político da FIESP, Nei Figueiredo. Mário Amato, presidente da FIESP, não demonstrou preocupação com este fato: "Não importa se Collor gosta ou não dos empresários. A questão é que nós gostamos do que ele diz que irá fazer" (JC) (FSP).