Dois pontos considerados inegociáveis pela direção do PT podem criar dificuldades na tentativa de aliança com o PSDB: reforma agrária e suspensão do pagamento da dívida externa. A comissão executiva do PT se reúne hoje em São Paulo para discutir a política oficial de alianças para o segundo turno. Em conversas preliminares já foi definido do que o partido não abre mão: suspensão do pagamento da dívida externa, realização da reforma agrária, redistribuição de renda e democratização do Estado. Os membros da Executiva afirmam que Luís Inácio da Silva conseguiu passar para o segundo turno devido a essas propostas. Mudar agora seria "suicídio político". Os dois primeiros pontos se chocam com a proposta dos "tucanos". Enquanto a reforma agrária do PT estabelece como critério a "finalidade social" para fins de desapropriação, o PSDB prevê em seu programa apenas a desapropriação de terras inexploradas aproveitáveis ou terras cuja exploração não satisfaça os mínimos estabelecidos por lei". A suspensão do pagamento da dívida também separa o PSDB de um eventual apoio a "Lula". Os "tucanos" defendem a suspensão do pagamento para conseguir a redução do valor global da dívida. Querem, portanto, a renegociação. O PT, e os outros partidos que compõem a Frente Brasil Popular (PSB e PC do B), querem a moratória seguida de auditoria da dívida. Depois da auditoria, dirão aos credores o que vão fazer. Não excluem um "não pago" definitivo (FSP).