DÉFICIT DE CAIXA CHEGOU A NCZ$11,4 BILHÕES EM OUTUBRO

A execução do Orçamento Geral da União (OGU) apresentou um déficit de caixa de NCZ$11,4 bilhões em outubro, o que elevou o "rombo" acumulado em 1989 para NCz$34,5 bilhões. Quase todos os resultados negativos nas contas do OGU neste ano foram provocados pelos encargos financeiros da dívida interna, que chegaram a NCz$33,7 bilhões entre janeiro e outubro. Esse valor foi 167,7% maior, em termos reais, do que o registrado no mesmo período de 1988. Em 31 de outubro, o total da dívida interna chegou a NCz$633 bilhões. Em dezembro, o valor de todos os títulos federais em poder do público e Banco Central ultrapassará a barreira psicológica do NCz$1 trilhão. Mas esses números não são significativos para o déficit do governo, e sim os juros, que são pagos aos portadores de títulos mobiliários, além do prazo curto em que a dívida é rolada. Logo depois da edição do Plano Verão, foi adotada uma política de juros altos. Nos últimos meses, as taxas foram elevadas ainda mais pelo Banco Central, para incentivar a poupança, em vez do consumo, e inibir a formação estoques especulativos. A política monetária se transformou num instrumento que ajuda a evitar a hiperinflação, mas ao mesmo tempo encarece muito a "rolagem" da dívida interna. O custo com pessoal foi de NCz$3,9 bilhões em outubro e de NCz$17,9 bilhões em todo o ano. O total gasto com a folha de pagamento representou 42,9% da receita líquida disponível da União, resultado muito abaixo do limite constitucional de 65%. Técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) observaram, entretanto, que até dezembro essa relação deverá chegar à casa dos 60%, em função do recente aumento do funcionalismo e do pagamento do 13o. salário e do adicional de férias em dezembro. As transferências de parte das arrecadações do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estados e municípios atingiram NCz$1,7 bilhão em outubro e pouco menos de NCz$18 bilhões nos dez primeiros meses de 1989. Outros NCz$2,2 bilhões foram gastos com encargos da dívida externa (O ESP).