GOVERNO APURA FRAUDE CAMBIAL

O ministro da Justiça, Saulo Ramos, e o diretor-geral da Polícia Federal, Romeu Tuma, anunciaram no Rio de Janeiro a descoberta da "maior fraude cambial da história do Brasil", envolvendo algo em torno de US$360 milhões, seis corretoras, 14 bancos brasileiros, um banco estrangeiro com sede no país e outros cinco no exterior. As operações ocorrem desde 1987 e incluem a "limpeza" de dinheiro obtido com o tráfico de drogas, na conexão Rio-Nova Iorque. Deverão ser indiciadas quase 50 pessoas, 24 delas apenas em São Paulo. A fraude cambial, só com bancos e corretoras do Rio de Janeiro, chegou a US$275,9 milhões, e os restantes US$84 milhões foram realizados em outros estados. Dos 594 contratos de câmbio realizados no Rio de Janeiro, seis corretoras intermediaram a ação de 15 bancos. A Corretora Interunion foi a que intermediou o maior número de contratos de câmbio: 540. O banco Econômico foi o que fechou o maior número de contratos: 184. O Banco Central pediu informações à CACEX sobre a atuação de 40 a 50 importadores que podem estar envolvidos na fraude cambial. O ministro da Justiça não divulgou o nome das empresas envolvidas no que considerou "roubo contra as divisas brasileiras", mas assegurou haver indícios de quem são os falsários: os que ficaram com os dólares. Isto ainda vai demorar um pouco para ser descoberto, mas, segundo o ministro, se os banqueiros colaborarem com as investigações, "é possível se chegar a todos". Na semana que vem, equipes do Banco Central e da Polícia Federal irão aos EUA investigar o destino dos dólares enviados ilegalmente. Saulo Ramos admite que o sigilo bancário nos EUA é mais rígido do que o brasileiro. Entretanto, "em caso de dinheiro de crime ou de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, o sigilo deixa de existir". As operações irregulares se referem a fraudes nas importações. Os implicados davam entrada com documentos falsos, solicitando as guias de importação. Falsificavam depois depois essas guias, para conseguir valores superiores, em declarações de importação, na Receita Federal. Os bancos estrangeiros forneciam documentos, também falsos, de exportações para o Brasil. Não chegavam mercadorias, mas sim os dólares, que eram depositados em fundos ao portador, para dificultar a identificação dos envolvidos. Romeu Tuma explicou que, no âmbito do Tesouro Nacional, já se confirmaram fruades cambiais de US$150 milhões. Na área do Banco Central há, como ele disse, fortes indícios da existência dos outros US$275 milhões. Esses números são preliminares, com a possibilidade de alguns valores serem superpostos, nas de fraudes ao Tesouro e ao BC (JC) (FSP).