ANISTIA INTERNACIONAL DENUNCIA CRIMES NA ZONA RURAL DO BRASIL

A Anistia Internacional denunciou que os crimes em regiões rurais do Brasil continuam ocorrendo em larga escala e "frequentemente com a conivência das autoridades locais". Segundo o relatório anual da organização, divulgado ontem em Londres (Inglaterra), 50 camponeses, sindicalistas, índios e religiosos foram mortos em conflitos pela posse da terra no Brasil durante o ano passado. No capítulo sobre o Brasil, há um dedicado ao assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, ocorrido em dezembro último em Xapuri (AC). Desde 1980, a Anistia Internacional registrou mais de mil homicídios em regiões rurais brasileiras. Em apenas três destes casos os pistoleiros foram condenados e em nenhum deles os mandantes foram punidos. O documento menciona o ataque a uma tribo de 60 índios Ticuna, em que 14 deles morreram, inclusive cinco crianças, e 23 ficaram feridos. A Anistia denunciou que a maioria dos assassinatos foi cometida por pistoleiros contratados por fazendeiros e especuladores com o consentimento das autoridades locais e, muitas vezes, com a participação de policiais. Além da violência rural, a Anistia Internacional denuncia a prática de torturas de presos nas penitenciárias brasileiras. Segundo a organização, há vários casos de presos assassinados por policiais uniformizados e fora de serviço (JB).