A produção dos principais alimentos destinados ao mercado interno vem crescendo menos que a população do país desde a década de 70, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De 1970 até 1985 (data do último censo agropecuário), a população cresceu 47% (de 93,1 milhões para 135,6 milhões de habitantes), mas a produção de arroz cresceu apenas 20%, a de feijão 15%, a de batata-inglesa 23% e a de carne bovina 21%. A produção de mandioca caiu 23% e o mesmo ocorreu com a batata-doce (65%), o amendoim (63%) e a banana (2%). Dos principais alimentos, apenas o trigo (cuja produção interna recebeu grandes subsídios) e o milho (que em parte é exportado) cresceram mais que a população-- 134% e 55% cada um. A mais completa pesquisa publicada sobre a alimentação no Brasil foi o Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef), realizado em 1974-1975. Em 1979, o BIRD (Banco Mundial) divulgou, com base nesses dados, um relatório que mostrava que 67,2% da população brasileira sofria de desnutrição na época. Cerca de 20 milhões tinham desnutrição leve, 33,5 milhões desnutrição moderada e 18,6 milhões de desnutrição grave. Cerca de 21% das crianças e adolescentes do país apresentavam formas moderadas e graves de desnutrição. O estudo revelava ainda que entre 60% e 70% de todas as mortes de crianças menores de cinco anos estão relacionadas com a desnutrição (a taxa de mortalidade de menores de cinco anos no Brasil é de 87 mortes por mil crianças nascidas vivas) (FSP).