A prefeitura do Rio de Janeiro publicou ontem em jornais um anúncio anulando a concorrência aberta pela Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana) para a construção de uma usina de lixo no bairro do Caju, com capacidade para processar 1,2 mil toneladas/dia de detritos. O cancelamento teve de ser feito devido a denúncias de fraudes na concorrência, que teria seus envelopes abertos amanhã. Segundo pelo menos cinco grandes empreiteiras nacionais, a concorrência seria realizada repleta de irregularidades técnicas e jurídicas. A Comlurb, que pagaria pela usina 35,280 milhões de BTNs (Bônus do Tesouro Nacional), cerca de NCz$129 milhões, é acusada por essas empresas de dirigir as exigências do edital da concorrência para favorecer a tecnologia vendida pela Sanenge, subsidiária da Carioca Engenharia-- ou por outras empresas interligadas à Carioca--, sem dar chances às adversárias. O edital exige, por exemplo, a utilização na usina de um aparelho chamado bioestabilizador ou higienizador aeróbio que, além de encarecer o custo total da obra em pelo menos 500% e aumentar consideravelmente o custo operacional da usina, não traz nenhum dos efeitos práticos relacionados pela Comlurb para justificá-lo (O Globo).