O presidente José Sarney mandou ontem suspender o processo de privatização da Mafersa devido a suspeitas sobre o cálculo do patrimônio e o valor estipulado para a venda da estatal. A Mafersa é a terceira maior produtora de vagões do mundo e seria privatizada amanhã pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) na BVRJ (Bolsa de Valores do Rio de Janeiro). O presidente se antecipou à Procuradoria-Geral da República, que proporia medida cautelar contra a venda, baseada em denúncias do Partido dos Trabalhadores. Se fosse concretizada a privatização, o governo perderia 60% de um preço aquém do valor real. O BNDES poderia receber só US$2 milhões. Ele assumiu US$20,2 milhões em dívidas da Mafersa e o preço mínimo para a venda é pouco maior: US$22,2 milhões. O ex-presidente do BNDES Márcio Fortes, que elaborou o plano de privatização, defendeu a avaliação para o preço do negócio. Disse não haver motivo de suspeitas. A diretoria do banco sustenta que a avaliação é correta porque foi feita pelo critério de fluxo de caixa projetado, segundo o qual uma empresa vale pelos resultados obtidos em determinado cenário econômico e não pelo seu patrimônio. A Procuradoria-Geral da República abrirá inquérito sobre o caso. Se o inquérito não apontar irregularidades, o governo processará o PT, que se opôs ao preço fixado pelo BNDES para a Mafersa (FSP).