BNDES NEGA "MAQUIAGEM" NO PREÇO DE PRIVATIZAÇÃO DA MAFERSA

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Ney Távora, negou ontem ter havido "maquiagem" na cotação da Mafersa para o leilão que o banco realizará, no próximo dia 12, a fim de privatizar a empresa. Segundo noticiou ontem este jornal, a Mafersa será oferecida por preços abaixo de seu valor patrimonial e que o patrimônio líquido, expresso em dólares no primeiro edital de privatização, é muito superior ao convertido em cruzados novos, divulgado no edital posterior. O processo de privatização da empresa foi todo preparado durante a gestão de Márcio Fortes à frente do BNDES. O ministro-chefe do Gabinete Civil, Ronaldo Costa Couto, foi indicado pelo presidente José Sarney para acompanhar a apuração de possíveis irregularidades no leilão de privatização da Mafersa. As denúncias de irregularidades foram feitas pelo candidato do PT à Presidência da República, Luís Inácio da Silva, durante programa eleitoral gratuito. Inicialmente o presidente Sarney pensou em pedir direito de resposta no horário reservado ao PT. Após discutir o assunto com os ministros da área econômica e do SNI (Serviço Nacional de Informações), Ivan de Souza Mendes, Sarney desistiu. No último dia cinco, o ministro da Justiça, Saulo Ramos, reconheceu que havia indícios de irregularidades no processo de privatização. Uma das irregularidades apontadas pelo candidato do PT é com relação ao preço da empresa, calculado em junho em NCz$84,7 milhões. No momento de venda da empresa, este valor não seria corrigido pela inflação do período. Segundo cálculos de assessores econômicos do PT, haveria somente nesta operação um prejuízo de 60% (FSP).