Mais da metade do mercado industrial brasileiro é controlada por apenas 1,7% das empresas registradas no país. A situação, constatada pelo professor Antônio Carlos Marques Mattos, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), derruba a credibilidade dos empresários que defendem a livre concorrência como forma mais eficaz de controle de preços. Um dos exemplos de oligopólio é o grupo Votorantim, do empresário Antônio Ermírio de Moraes. Seu grupo detém 100% da fabricação de níquel eletrolítico, 55% da produção de zinco, 38% do cimento, 20 do alumínio e 2% do mercado de aço. Mas o industrial se defende: "Não crio objeções para quem queira se intalar e concorrer comigo". "Viva a concorrência". O Brasil, 489 anos após seu descobrimento, ainda vive um grande sistema de capitanias hereditárias. Além dos monopólios e oligopólios, o país ainda possui cartórios impossíveis de serem imaginados em uma época em que se prega o capitalismo internacional. Um dos piores cartórios existentes no país é o de trigo, que possui 179 empresas e vive um sistema semelhante às antigas cartas-patentes dos bancos: para entrar nesse setor é preciso comprar o registro de alguma empresa que esteja querendo sair. As concessões foram dadas pelo governo e o sistema é tão protegido que Lawrence Pih, diretor-superintendente da Moinho Pacífico, garante que até hoje nenhuma empresa quebrou. É a palavra de quem atua nesse setor desde 1955 (JB).