O próximo presidente da República, seja quem for, terá, obrigatoriamente, que rediscutir o Orçamento Fiscal da União para 1990, com o Congresso Nacional. Caso contrário não vai dispor de recursos suficientes sequer para atender às necessidades básicas, como saúde e educação. Essa é a opinião dos assessores econômicos dos candidatos Ulysses Guimarães (PMDB), Mário Covas (PSDB), Guilherme Afif Domingos (PL) e Fernando Collor de Mello (PRN), que participaram ontem, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, de um debate sobre o assunto. O orçamento, enviado esta semana ao Congresso Nacional, foi fixado em NCz$338,8 bilhões, estabelecendo investimentos de cerca de NCz$17 bilhões em empresas estatais. Os valores serão corrigidos por um índice inferior à inflação. Do total dos recursos, 85% serão destinados a órgãos públicos em geral, enquanto 14% serão destinados à seguridade social. De acordo com o governo, 64% (NCz$218,6 bilhões) já estão comprometidos para pagamento de dívidas. Segundo o assessor do PMDB, Alberto Goldman, o próximo presidente terá não só que rediscutir o problema da escassez de recursos, como também apelar à sociedade para conseguir mais dinheiro, através de empréstimo compulsório. Já o assessor do PRN, Geraldo Leal Moraes, entende que o próximo presidente só conseguirá governar se pedir a ajuda do Congresso para enfrentar a escassez de recursos. O assessor do PSDB, Antônio Angarita, preconiza uma reforma fiscal para dotar o novo governo dos recursos necessários. Luiz Scaglione, assessor do PL, prevê a adoção de plano de emergência para obter meios necessários à execução de seu programa (O Globo).