A remuneração média recebida pelo funcionalismo federal do Executivo, divulgada ontem pela SEPLAN (Secretaria de Planejamento da Presidência da República), provocou a reação de muitos funcionários públicos que recebem salários bem abaixo dos níveis apresentados. No Ministério da Agricultura do Rio de Janeiro, por exemplo, a agente administrativa Therezinha Garcia Medeiros, de 48 anos, com 32 anos de funcionalismo e referência 32-- o nível máximo--, provou com seu contracheque de setembro que ganha hoje NCz$892,41 bruto, sendo NCz$755,53 líquido. Na tabela da SEPLAN, a remuneração média de um agente administrativo do Executivo estaria em NCz$1.989,93. O presidente do recém-criado Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Estado do Rio, Gilberto Barata, funcionário do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), também contestou os números da SEPLAN. Segundo ele, "a tabela atual de salários do funcionalismo, autorizada pela SEPLAN, prevê um salário máximo de NCz$778,59 para o nível superior 25, que é o mais alto do funcionalismo". "Com as gratificações legais, este salário não passaria de três vezes o valor". "Mesmo que nas autarquias e fundações, que representam cerca de 10% do funcionalismo ligado ao Executivo, existam tabelas salariais mais altas, isto não seria suficiente para elevar a remuneração média a estes níveis", argumentou ele. Os procuradores que atuam junto aos Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) ou no Tribunal Superior do Trabalho (TST), para resolver as reclamações trabalhistas ou os dissídios coletivos, seja de servidores ou de empregados do setor privado, são os verdadeiros "marajás" do serviço público brasileiro. Cerca de 200 deles recebem, já no início de carreira, um salário em torno de NCz$12 mil. A média divulgada pela SEPLAN, no entanto, afirma que estes salários estão em torno de NCz$11.796,66. Estes funcionários só são obrigados a comparecer ao TRT ou o TST três vezes por semana-- às terças, quartas e quintas-feiras (O Globo).