Espalhado em pelo menos 15 estados brasileiros, o "Esquadrão da Morte", grupo clandestino que se propõe a assassinar "marginais", é o principal responsável pela morte de crianças e adolescentes nos primeiros seis meses deste ano. Em 1988, o esquadrão foi responsável por 65 assassinatos, o que corresponde a 17% do total de 379. Mas, de janeiro a julho deste ano, para 245 mortes violentas registradas, 82 são atribuídas a esses grupos parapoliciais-- um índice de 33,5%. Um crescimento superior a 100%, ou seja, o dobro. Estes números constam de dossiê preparado pelo Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, entidade privada que conta com o apoio da UNICEF, subordinada à ONU (Organização das Nações Unidas). A coleta dos dados foi feita pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). A principal conclusão do estudo, que será apresentado esta semana em Brasília durante a 2a. Conferência dos Meninos de Rua e enviado a todos os candidatos à Presidência da República, além de autoridades policiais e governamentais, é de que o número de assassinatos provocados por esquadrões está crescendo impunemente. Eles atuam basicamente nas periferias das cidades, em especial nas favelas (FSP).