Os 6,2 milhões de hectares de terras localizadas na Amazônia e cedidos ao Exército por dois decretos presidenciais serão utilizados como "campos de instrução por unidades militares" e para Instalação de novas Organizações Militares a serem criadas". A afirmação consta de nota distribuida ontem pelo Ministério do Exército sobre o assunto. No texto, o Exército prometeu "assegurar a preservação ecológica" da região. O sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), acha que não está correta a afirmação de que o Exército brasileiro é o maior proprietário de terras do país. Ele ressaltou que o Exército é um aparelho do Estado e que, portanto, as terras pertencem à União. O que o sociólogo questiona é a destinação dessas terras nas mãos das Forças Armadas. Para ele, a maior preocupação está na "morte" da reforma agrária e nos constantes massacres de colonos que reinvindicam um pedaço de terra, enquanto o governo Sarney "militariza uma região do tamanho da Bélgica". Herbert de Souza disse também que pretende propor uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para discutir as 18 maiores propriedades do país, levantadas pelo IBASE. Na relação do IBASE, a Madeireira Nacional S/A (Manasa) detém a área mais extensa do país-- 4,1 milhões de hectares (FSP).