Um grupo de 12 índios vindo de oito tribos diferentes está estudando Direito e Biologia na Universidade Católica de Goiás, em Goiânia, na primeira experiência de universidade indígena na América Latina. O curso de Biologia, em nível de extensão universitária, tem uma característica incomum: ao mesmo tempo em que aprendem, os alunos índios estão ensinando aos professores sua bagagem milenar de zoologia e botânica. A Universidade Indígena começou a funcionar em abril, por um convênio entre a Católica e a UNI (União das Nações Indígenas). Não houve vestibular porque, segundo a UNI, os índios estudantes estarão voltados estritamente para suas comunidades e não irão entrar no mercado comum de trabalho. Há menos de um mês, com o auxílio financeiro de várias entidades, entre elas a Fundação Ford, a UNI comprou por NCz$100 mil uma chácara de 15 hectares, a 12 quilômetros de Goiânia, para realizar um velho sonho: o Cenro de Pesquisas Indígenas. O Centro, que faz parte do projeto da Universidade Indígena, servirá para alojar os estudantes índios, formar lideranças, sediar um escritório central de todas as tribos do país e fabricar granola, doces pastosos, geléias, passas e licores a partir de frutas silvestres, abundantes nas aldeias (O ESP).